27 de mai de 2017

Afinal, o que eu sou?

     Estou me apegando as palavras de que vou ficar bem, correndo contra o tempo atrás de algo ou alguém que me faça esquecer todo o resto, toda minha bagunça, mas parece que isso não sou eu. Não consigo ficar bem em multidões, e sinto que devo me perguntar o que há de errado comigo. Afinal, quem eu sou? O que eu sou? Eu deveria saber. 
      Se passou um dia, um mês, e estou no mesmo lugar de quatro anos atrás. Ás vezes, faço coisas só pela sensação de vazio, de ser um corpo oco, e de não saber como lidar com tudo isso. No final do dia, me olho no espelho, e sei que nada está bem.
      Estranhamente, venho perdendo o gosto pelas coisas que antes adorava. Agora gosto de tantas coisas bregas, que poderia me tornar uma dela. Gosto de pijamas de botão, maiores que eu, gosto de livros velhos, e da sensação gostosa de tê-los nas mãos, gosto do cheirinho dos meus pais. Não tenho mais quinze, ainda não cheguei ao vinte, estou aí no meio, como alguém que não consegue decidir para que lado vai, não sou uma criança, nem um adulto. Eu entendo, mas estou confusa. Será que ainda caibo na cama de meus pais?
     Ultimamente, tenho estado com medo de tudo, não sei se devo ficar quieta ou virar tudo do avesso. E apesar de todos me dizendo que tudo passa, eu continuo vendo o final, um conto, sem ser de fadas, falta vento em minhas veias. Falta aquele algo a mais que faz querer levantar da cama todos os dias e fazer daquele um dia melhor, me falta! E eu conheço meu coração, e tudo que o machuca, mas ainda não sei o que fazer para curá-lo. Eu queria ser como minhas amigas mais velhas, sabendo quando deixar todas as coisas de lado. Tudo que é pesado me puxa tão para baixo, e droga, eu estou no fundo.

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